[12 de abril de 2005]
Breaking Point
De uma certa forma, acho que é um pouco da questão do Gladwell, sobre a epidemia de informação. De repente, o pêndulo neste caso pendeu um pouquinho mais para lá e alguém realmente se irritou e resolveu tomar uma atitude contra a apatia diária. É só isso que precisa para gerar uma epidemia: um tipping (ou breaking) point. Alguém começa a epidemia e a revolta desse alguém contagia outras pessoas que vão passando o caso adiante. O interessante é o papel que a Internet teve no assunto já que parentes meus de outros estados comentaram comigo já saber do caso pela Rede. O caso de Preta gerou um breaking point na apatia do cotidiano em relação à violência. Fico pensando nos desdobramentos.
por raquel (10:23) [comentar este post]



Comentários
Ricardo (abril 12, 2005 10:39 AM) disse:
Eu acho que o caso é evidência da questão de insensitivização à violência a pessoas. Matar bebês, moradores de rua, mendigos e outras pessoas se tornou tão comum que não choca mais e não gera um décimo do movimento gerado em cima da cachorra.
Ou então é uma questão mais complexa. Talvez o problema do maluco ter matado a cachorra tenha sido sua falta de motivos. Não compreendemos o porquê dele ter feito tal coisa, enquanto a maioria dos crimes entre pessoas se consegue compreender os motivos. E algo que não compreendemos é muito mais perigoso e exige uma ação.
Não sei se é um tipping point, ou só um tipping point. Acho que havia uma permeabilidade no meio social à questão, que permitiu que tal proporção tomasse forma. E o motivo de tal permeabilidade pode ter sido a insensitivização, a falta de motivos ou algum outro fator desconhecido.
nisia (abril 12, 2005 2:31 PM) disse:
na verdade, creio que o fato a provocar essa comoção tem a ver com o agente e não com a vítima. é uma tendência natural de pessoas serem mais condescendentes com atos criminosos ou delituosos praticados por pessoas com formação ou padrão sócio-econômico abaixo do desejável, na medida em que se considera estas como integrantes um mundo a parte (visão geral, não minha). verifica-se facilmente isso, em face a decisões proferidas por conselhos de sentença. há quem diga haver um mea culpa nisso, mas já seria outra discussão...
entretanto o sujeito que, sendo um universitário a freqüentar os mesmos locais que você ou seus amigos, além de teoricamente ter recebido uma formação mais consistente (o que se faz desejar uma conduta mais adequada) pode ser considerado, potencialmente, mais perigoso, no momento em que está em um meio "mais próximo", que poderia ser o profissional que você procuraria dentro de alguns anos e que hoje passa despercebido pelas ruas.
Lady A (abril 12, 2005 3:54 PM) disse:
Isso me parece aquela máxima do jornalismo. "O cachorro morder o homem não é notícia, notícia é o homem morder o cachorro". Tá, parece um trocadilho infame, mas que pode ter muito a ver com o fato de a notícia ter recebido tanta atenção em meio a uma avalanche de notícias tão ruins quanto. Claro, some-se isso com a discussão nos blogs, os abaixo-assinados, orkut, etc, como diz Sarah Thornton, "a micro-mídia" . Talvez o caso da cachorra tenha se tornado breaking point pelo fato de que seria um crime que, se não tivesse essa "cobertura" talvez passasse esquecido, ou pelo próprio fato do agressor ser de uma classe social mais alta.. não sei... to viajando.
MC (abril 12, 2005 11:32 PM) disse:
Raquel: - Usa o caso da cadela no teu TCC
MC - Hmmmmmmmm
Hehehehe
Concordo com todos os posicionamentos acima. Estou com tanta raiva daquele infeliz que ainda não formulei o meu.
Ah, vamos na passeata!! Todos!!! Quem sabe a gente encontra o infeliz e ata ele no carro de alguém e arrasta até a casa dele, que é no Laranjal :P
LUIZ ALBERTO MACHADO (abril 15, 2005 6:54 PM) disse:
Olá, muito interessante seu blog. Fiquei curtindo cada post e adorei. Voltarei um montão de vezes.
Beijabrações
Luiz Alberto Machado
Érico (abril 20, 2005 11:53 AM) disse:
Eu acho que concordo com a Raquel. A disseminação e a simpatia popular pela cachorra não têm a ver só com as características do caso (o apelo humano, a crueldade, os detalhes sórdidos), mas com um ponto de desequilíbrio: algum momento em que um formador (ou um grupo de formadores) de opinião se decidiu por abraçar a causa e fomentar a raiva coletiva.
O caso tem tudo para despertar essa raiva que a gente viu e tá vendo. Mesmo assim, precisa de uma ignição. Isso que é o ponto de desequlíbrio.