[18 de novembro de 2008]
Considerações sobre o Twitter I - Definição
Uma das coisas que me peguei pensando e discutindo com a Gabriela Zago na ABCiber foi a respeito do formato do Twitter e de como medir elementos como autoridade e capacidade de influência ali. Vou tentar resumir algumas coisas que pensei e outras que discutimos aqui.
O Twitter é microblogging?
A primeira discussão foi a respeito do conceito do Twitter (e Plurk, Jaiku e etc.) como "microblogging". Acho que o Twitter não tem nada a ver com blog. Inicialmente, a estrutura é totalmente diferente. No Twitter, há uma forma igualitária de comunicação: os lugares de fala são todos iguais (ao contrário do blog, onde há sempre blogueiros e comentaristas em espaços distintos); não há a possibilidade de comentar algo, mas simplesmente de "falar" no mesmo espaço, ou seja, no Twitter há uma grande dificuldade em manter a coerência conversacional que não existe no blog; também não há como linkar entre os tweets que estão comentando uns aos outros (exceto pelas hashtags, mas ainda assim é muito difícil seguir esse tipo de coisa). Finalmente, enquanto os blogs são publicados para "todos" (de uma forma geral, não se sabe quem te lê), os tweets são publicados apenas para um grupo de seguidores, dos quais sabe-se perfeitamente quem e quantos são. Também acho que há diferenças fundamentais entre os conteúdo dos Twitter e dos blogs. O Twitter é todo voltado para informações rápidas e conversações resumidas. O blog, de uma forma geral, tende a ser mais analítico e pessoalizado em seus textos. Enquanto o Twitter é muito usado para notícias rápidas, os blogs costumam ser mais elaborados e mais aprofundados. Além disso, o Twitter tem uma característica mais síncrona que os blogs. Até porque há um limite de informações que são mostradas pelo sistema (na primeira página e no passado). Ou seja, enquanto os blogs são basicamente assíncronos e é possível comentar uma postagem de meses atrás hoje, no Twitter o assunto gira em torno do agora.
Assim, fiquei pensando (e perguntei pra Gabi) por quê chamamos o Twitter de microblogging. Acho que a nomenclatura é inapropriada, no sentido em que a ferramenta é muito diferente de um blog. O Twitter não é, efetivamente, um microblog. Acho mais interessante a definição de micro-messaging, pois o Twitter, na minha opinião, aproxima-se mais de um MSN coletivo do que de um blog coletivo. Assim, o Twitter proporciona que se enviem mensagens pequenas a um grupo de seguidores, mas não para todos os twitters (como o blog, de uma forma geral, faz), de uma forma bem parecida com aquela dos mensageiros. O micro ficaria por conta da limitação do número de caracteres e da limitação no sentido da coerência conversacional que o Twitter possui (mas não os mensageiros).
por raquel (07:18) [comentar este post]



Comentários
Mario Cavalcanti (novembro 18, 2008 9:20 AM) disse:
Oi, Raquel. Simplesmente sensacionais as suas considerações. Gostei mesmo.
Secco (novembro 18, 2008 9:54 AM) disse:
Oi Raquel. Eu gosto de usar a definição de MSN social/coletivo para explicar aos novatos o que é o Twitter. Me parece que o que chega mais perto da realidade.
Raquel (novembro 18, 2008 1:17 PM) disse:
Mario: Poxa, que honra vc por aqui. :)))
Secco: Concordo! :D
Suzana Gutierrez (novembro 18, 2008 9:13 PM) disse:
Oi Raquel
Beleza de análise :) Ainda nem li a II, mas já comento aqui.
A minha melhor experiência com o twitter foi agora durante a abciber, acompanhando o evento pelas twittagens dos colegas.
Aí, que voltei para aquela definição de partida que eu tinha comentado lá nos primordios twitais: o mote não é "o quê eu estou fazendo" e, sim, "o quê está acontecendo".
O twitter, além de ser um msn social, como comentou o(a) Secco, pode ser um feed de notícias instantâneas.
Num blog tem mais espaço para a coisa pessoal, vidinha. No twitter, aquelas postagens de "só um min que vou no banheiro" tendem a incomodar mais.
Uma coisa que se poderia desenvolver mais é a reflexão sobre este 'presente eternizado' do twitter. Nos blogs, os arquivos trazem uma historicidade interessante.
Confesso que eu não tinha pensado no twitter a ponto de perceber que não há memória. Bem pós-moderno isso :)
abraços!
Gabriela (novembro 18, 2008 9:21 PM) disse:
Que chique, um post em homenagem a mim (vi pelo Twitter) :D :P hehe
Bom, e acho que já tinha dito isso antes, mas, forçando a barra, o máximo de blog que tem nos microblogs seria a idéia de publicação em ordem cronológica inversa (mensageiros instantâneos são, via de regra, em ordem cronológica). Mas embora o Twitter tenha um sistema de arquivamento em ordem cronológica inversa, não é comum as pessoas acompanharem o que dizem as outras a partir da visita ao perfil de cada uma. O stream acaba sendo o foco principal, numa espécie de presenteísmo permanentemente renovado - bem mais pro lado de mensageiro instantâneo do que de blog. Daria para defini-lo como um meio termo entre um e outro, talvez? :)
Gostei da idéia de definir como micro-messaging -- aí também já puxa pra um outro aspecto do Twitter, que é a relação com a mobilidade.
Gabriela (novembro 18, 2008 9:23 PM) disse:
E como só depois vi o comentário da Suzana...
A relativa ausência de memória do Twitter é um grande empecilho para se fazer jornalismo na ferramenta. Funciona bem para coberturas ao vivo. Mas tentar voltar para acompanhar o que foi dito é um verdadeiro caos. Bem 'presente eternizado' mesmo. :)
Charô (novembro 18, 2008 11:14 PM) disse:
Olá,
algumas hipóteses:
1. vc indica linques
2. emite opiniões
3. responde a comentários
4. tem visibilidade
5. é lincado e linca
Abraço!
Lilian Starobinas (novembro 18, 2008 11:52 PM) disse:
Interessante, Raquel. Postei sobre Twitter, Twemes e Abciber tb há alguns dias. Acho que é preciso considerar as influências mútuas que há na postagem Twitter, em especial quando vários sujeitos estão acompanhando a mesma situação. A situação de comunicação numa conferência, por exemplo, acaba sobreposta: ela é unidirecional (enquanto somente o palestrante fala), mas convive com uma brecha multipolar, exercida pela audiência conectada entre si.
Tenho dúvidas sobre a questão da temporalidade. Acho que, mesmo na sua fragmentação, a retomada pelo Twemes proporciona historicidade.
bom conversar com vcs!
bjs,
Guto (novembro 25, 2008 12:00 AM) disse:
Pra mim sempre pareceu e parece que o termo Microblogging é usado porque falta um termo que defina exatamente o que é o twitter(e semelhantes).
E, talvez, o fato de muitos blogueiros usarem-o e terem muitos seguidores e por um bom tempo, e alguns ainda o usam assim, terem usado o twitter como uma forma de medir sua popularidade e publicizar ainda mais seus blogs? Parece um pouquinho plausível! Eu acho hehe
raquel (novembro 29, 2008 10:49 AM) disse:
Guto, parece sim. :) Acho que tens razão.
Fernando Pimentel (maio 9, 2009 3:15 PM) disse:
Olá Raquel, quem me indicou você (e seus estudos sobre os microblogs foi Marco Silva).
Veja um dos pensamentos que estou desenvolvendo, e depois aguardo um feedback.
Um abraço,
Fernando Pimentel
(http://fernandoscpimentel.blogspot.com/2009/04/microblogs-e-educacao-online-um.html)
Por qual motivo o Twitter e o Plurk, que originalmente foram desenvolvidos para serem microblogs, tem sido utilizados como um site (rede) de relacionamentos?
Tomando como base as considerações de Santaella (2007), estou tentado a acreditar que as conexões e vínculos entre os usuários da internet, como também a criação e multiplicação de redes, sites de relacionamento e comunidades virtuais no ciberespaço são uma resposta do desenvolvimento humano, seja como forma de defesa, seja como adaptação ao meio.
Conforme a teoria da evolução de Darwin, o ser humano é capaz (assim como outros animais) de adaptar-se ao meio, como condição de sobrevivência. Podemos, por analogia, tomar este postulado para buscar entender a multiplicação das comunidades virtuais. Explico. Para não se perder na infinidade de sites disponíveis na internet, para não se sentir isolado, para não se desconfigurar enquanto SER e para perceber-se e identificar-se é que nós (seres humanos) buscamos viver em grupo. Somos seres gregários!
Nós aprendemos em rede, aprendemos uns com os outros e por mais que alguns possam identificar como sendo um deturpamento da finalidade inicial, usar os microblogs como uma rede de relacionamentos pode ser compreendido como uma vantagem para o processo cognitivo individual e coletivo!
raquel (maio 17, 2009 3:57 PM) disse:
Fernando:
Acho que tens um bom ponto mesmo! Boa discussão. :)