[16 de novembro de 2010]
Desafios dos sites de rede social: Uma e muitas redes sociais
Pensei em fazer uma pequena série de posts sobre alguns dos desafios dos sites de rede social que tenho discutido nos últimos tempos. Vou começar falando do problema da privacidade e da "mistura" das redes sociais.
Misturando as redes sociais
Uma das estratégias mais comuns de vários sites de rede social é tornar-se "o site de rede social universal". Ou seja, tornar-se o site de rede social que congrega todos os grupos e redes. Assim, diversas estratégias são empregadas de forma cada vez mais usual. Por exemplo, ferramentas que complexificam as redes sociais, tornando-as mais densamente conectadas (indicando "amigos", "grupos" e "pessoas a seguir" etc.). Outro exemplo são as ferramentas de "importação" da rede social de um site para outro. Esse tipo de ferramenta interfere diretamente na visibilidade da rede, tornando nodos mais visíveis e mais públicos. Entretanto, esbarram em uma questão básica: ninguém tem uma única rede social e misturar esses grupos pode não ser interessante para os usuários.
Como no cotidiano, as pessoas costumam ter vários grupos sociais aos quais pertencem. Em cada grupo, vivenciam um papel, agem de determinadas formas e interessam-se por determinadas informações. Por exemplo, o grupo do trabalho pode ou não ser coincidente com o grupo com o qual você sai a noite na sexta. Muitas pessoas mantém essas redes separadas, para momentos e espaços diferentes, adequados a seus papéis sociais. E isso é verdadeiro no espaço online também. Por exemplo, você pode não querer que seu chefe siga seu perfil no Facebook e todas as suas publicações sobre os jogos que você usa.
Não uma, mas muitas redes
Como os sites de rede social não possibilitam direito que as pessoas separem suas redes e mantenham informações diferentes para grupos diferentes, muitos acabam dividindo seus grupos e papéis entre os vários sites de rede social (Linkedin para os contatos profissionais, Facebook e Orkut para os perfil mais 'universal', Plurk e Messenger para os amigos mais próximos, e etc.). Alguns constróem vários perfis para seus objetivos (um perfil para jogar, outro para a família, outro para trabalho etc.), o que é ineficiente em termos de manutenção. Outra estratégia é tentar utilizar as ferramentas de privacidade (quase sempre ineficientes) para lidar com essas informações. Assim, muitos colocam suas fotografias pessoais privadas (apenas visíveis para os amigos), sem perceber que essas fotos podem ser visíveis nas timelines alheias.Quando passam a perceber esses problemas, muitos optam por retirar o conteúdo, deletar o perfil ou mesmo, acessar menos o SRS.
Aqui, portanto, reside um primeiro desafio dos sites de rede social: construir espaços adequados para as várias redes sociais e os vários papeis dos indivíduos no seu cotidiano. Ao invés de tentar universalizar-se, talvez o caminho para os SRSs seja aquele do foco nos diferentes papeis sociais dos atores. Talvez seja aquele de proporcionar modos mais eficientes aos atores de lidar com suas diferentes redes sociais. A questão mais importante é que, ao complexificar suas redes, os sites de rede social também as estão matando, uma vez que reduzem o estímulo à publicação de informações e aumentam a preocupação para com a privacidade.
por raquel (10:40) [comentar este post]



Comentários
Marcos Campelo (novembro 16, 2010 10:22 PM) disse:
Oi Raquel, este artigo me deixa muito otimista em relação ao futuro da rede social http://atepassar.com , que é, uma rede social de nicho.
Acredito ser correta a visão da construção de espaços para que o indivíduo possa, de forma efetiva, estar participando de uma rede em que as pessoas tenham interesses específicos.
Penso que as redes sociais universais, como você bem nomeou, já tem os seus players consolidados e, dificilmente, terão o seu reinado ameaçado, pelo menos a curto prazo não.
Camila Leite (novembro 17, 2010 3:01 PM) disse:
Oi Raquel
Faz alguns minutos que recebi uma mensagem via LinkedIn : "Desculpe, mas te conheço pessoalmente" ?
Acessei o perfil dele e percebi que temos vários amigos em comum, mas realmente a gente não se conhecia. Depois de trocar mensagens ele comentou : Eu perguntei porque quero deixar o LinkedIn mais organizado. Pelo menos aqui adiciono só quem eu realmente conheço.
Um exemplo vivo da necessidade dessa indexação.
Bjs
roselia (novembro 19, 2010 6:30 PM) disse:
Olá,
É verdade!!!
Não quis mais essas "conexões universais" e só estou com o que prezo e me faz bem,minha privacidade acima de tudo...
Um abraço fraterno
raquel (novembro 21, 2010 8:18 AM) disse:
Pois é Roselia! Eu tb penso assim...
Cleber (novembro 24, 2010 2:26 AM) disse:
O Google fez isso recentemente com o orkut, e o Facebook implementou isso meses depois.
Com esses novos recursos que foram implementados, é possível criar grupos dentro do orkut ou Facebook que podem ficar "isolados" um do outro.
No orkut, por exemplo, posso criar atualizações que serão vistas somente por determinado grupo.
arielcardeal (novembro 29, 2010 3:44 PM) disse:
Interessante.
Mas cada vez mais as redes sociais tem fechado seus círculos, aumentando a privacidade e isolando as pessoas em pequenos grupos que a maioria das vezes são um "braço virtual" dos grupos offline.
Tem um aspecto caótico nas redes sociais(que a própria Recuero comenta em um artigo sobre redes) que dá a beleza da convivência humana. Acho que esse controle exagerado de quem chega perto de você no ciberespaço vai na contramão desse movimento globalizante da internet, né não?
E as mudanças de relações nos espaços antropológicos que o Lévy comenta, não levamos em conta?
"É preciso ainda engajar a própria singularidade pessoal na vida profissional", é o que ele diz em Inteligência Coletica, se não me engano.
Voto pelo caos social inerente à humanidade, ainda.
Abraço
Ana (dezembro 1, 2010 5:36 PM) disse:
Raquel Recuero, é bem notório mesmo este processo que você menciona no post. Podemos reforçar estes fatos com uma pesquisa (se não estou enganada da E-life) que mostra os diferente usos que fazemos em cada rede. São pessoas diferentes e usos distintos. Não há porque tentar universilizar. Ouvi uma colega falando que era a concorrência ou a "lei de sobrevivência no mercado" das redes sociais.
Por outro lado, fico pensando na viabiliade de redes tão segmentadas. Será que teremos tempo, disposição para atuar em tantos ambientes e informações tão diferentes?
Bom, são reflexões...
Abraços e parabéns pelo debate.