[30 de novembro de 2003]

Deserto do Real

- Do caderno Mais! da Folha, uma entrevista com o filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek, que fala sobre algumas das ideias desenvolvidas no livro "Bem vindo ao Deserto do Real", onde ele trata de várias coisas, entre elas dos atentados de 11 de setembro. Interessante diálogo com o Power Inferno do Baudrillard.

O conceito central de "Bem-Vindo ao Deserto do Real!" é a noção de uma "paixão pelo real", que teria animado tanto os atos revolucionários no século 20 quanto o terrorismo. Como se pode entender essa paixão pelo real?

Há uma questão importante aqui porque eu uso o mesmo termo em dois sentidos que não devem ser confundidos. De uma maneira meio ingênua, eu diria que há uma boa e uma má paixão pelo real. A má paixão assenta-se na idéia de que a única experiência potente é a experiência de transgressão, seja na figura da violência política, da sexualidade sadomasoquista etc. Essa paixão pelo real, eu a vejo no terrorismo e, por exemplo, na fascinação do revolucionário que, para defender a causa, não teme ir até o fim e fazer o trabalho sujo que vai contra seus princípios morais privados.

Mas essa paixão pelo real é complementada atualmente pelo seu inverso aparente, ou seja, por uma certa paixão pelo semblante, pelo simulacro, pelo espetáculo. Os dois estão interconectados e o terrorismo mostra isso muito bem. Por um lado, ele é o resultado de uma paixão pelo real, paixão daqueles que afirmam: "Vamos agir brutalmente", mas seu efeito final é o de um grande espetáculo explosivo que nos fascina.

Eu diria que o que falta aqui é a noção lacaniana de "real", que nada tem a ver com essa noção meio batailliana [referência ao escritor Georges Bataille (1897-1962)] de transgressão, de experiência extrema e de estetização da violência. Para Lacan, o "real" é apenas uma espécie de ruptura na ordem simbólica, de impossibilidade lógica que marca um antagonismo irredutível.

Na entrevista ele desenvolve outros temas, como universalismo e globalismo (mas de uma otica diferente da do Baudrillard), cristianismo, cultura e etc.
por raquel (10:20) [comentar este post]


Comentários

Suzana (dezembro 1, 2003 1:43 AM) disse:

Oi Raquel
Gosto muito de ler o Zizek, mas, como não uso o uol, o link fica impossível para mim. Poderias me enviar a entrevista?

abraço,

Suzana
ssguti@terra.com.br

Érico (dezembro 1, 2003 9:23 AM) disse:

Mas o livro não é só dele, certo? Que eu lembre, era uma coletânea de artigos de vários autores, falando sobre MATRIX.

O Zizek é o filósofo mais legal do mundo.

Renata (dezembro 1, 2003 10:50 PM) disse:

O livro é uma coletanea de textos de vários autores sim, organizada pelo William Irwin. O texto desse tal Zizek é o último, mas eu não consegui passar da pagina 100, me irritei com as repetições dos mesmos conceitos e teorias nos primeiros textos. Vou pular pra esse último.

Érico (dezembro 2, 2003 9:10 AM) disse:

Outro livro sobre "matrix e filosofia" saiu há pouco tempo aqui no Brasil também: A Pílula Vermelha.

Diogo Ferraz, (fevereiro 2, 2004 7:23 PM) disse:

oi, sou eu de novo,
esqueci de informar o meu email: diogosferraz@ig.com.br

Diogo Ferraz (fevereiro 2, 2004 7:27 PM) disse:

olá,
sou estudante de comunicação social da UERJ.
estou lendo este texto do ZIZEK, e gostei muito.
estou o resenhando. portanto procuro desesperadamente mais informações sobre esse pensador.
Peço encarecidamente que me envie esta entrevista a ele, pois não sou assinate do UOL.
você estará contribuindo(quem sabe?)para a existência de mais um discípulo do ZIZEK.

Grato, Diogo Ferraz.
diogosferraz@ig.com.br

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