[26 de março de 2005]

Eutanásia

- Tenho acompanhado o caso da americana Terri Schiavo e a questão da eutanásia dela com estupefação. Nem é tanto pela questão ética em si, mas será que só eu estou vendo o óbvio? Estou chocada com o caso porque os tribunais simplesmente mandaram desligar a água e a comida da moça em questão, até que ela morra de fome e de sede. É mesmo uma coisa muito humanitária. Quero dizer, os presos do corredor da morte nos EUA têm uma morte mais humana que essa coitada. Eles são condenados, vão lá, recebem anestésico e cloreto de potássio na veia, morrem calmamente e deu. Agora essa moça, que nunca fez nada para ninguém, vai morrer de forma cruel e sádica: de fome e de sede, em sofrimento. Não importa se ela tenha ou não consciência, é cruel e ponto. Não posso acreditar que, enquanto ela agoniza numa cama de hospital, as pessoas fiquem presas em debates sobre os problemas legais. Nem um cachorro merece morrer assim. Aliás, nada vivo merece morrer assim, quanto mais um ser humano (a essas alturas uma "coisa", já que todo mundo discute sobre a vida dela como se ela fosse uma pedra ou algo do gênero). É triste.
por raquel (11:44) [comentar este post]


Comentários

Renata (março 26, 2005 12:30 PM) disse:

Poxa vida. Eu li uma matéria na Folha sobre a história, mas não estava acompanhando. Ainda não consegui formar uma opinião sobre a eutanásia, mas mesmo sem entrar no mérito da questão, as idéias de eutanásia e de deixar a pessoa morrer de fome/sede me parecem totalmente contraditórias!
Quanto a "nem um cachorro", vários bichos morrem de jeitos bem feios também, e não por ação da natureza. Mas isso todo mundo sabe, e não é o foco da discussão. Espero realmente que essa moça não precise passar por uma morte tão sofrida, mas parece que ela já está passando :/

Lady A (março 26, 2005 1:26 PM) disse:

Pois é.. e ainda vem o Bush e quer dar uma de bonzinho pra capitalizar nisso sobre seu indice de popularidade que está caindo... cada um só quer tirar proveito.... esse é umd aqueles momentos em que a vida real parece ser um episódio de péssimo gosto de algum escritor de Sci-fi.. pq não pegam e não dão uma injeção e acabam com o sofrimento da criatura de vez... inadmissível!!!!

samanta (março 26, 2005 4:40 PM) disse:

meu deus, q coisa desumana. e o q é isso dos pais implorarem pela vida da filha? credo, q isso...
eu fico chocada com essas coisas. eu sei q é um pensamento idiota e egoísta, mas às vezes eu prefiro me manter alienada...
e eu sou a favor da eutanásia quando a pessoa já deixou dito em vida q não gostaria de ficar presa à maquinas. mas eu duvido q mesmo essas pessoas gostariam de ter uma morte tão horrível e cruel como a dessa mulher...

Thiago Hirai (março 26, 2005 8:01 PM) disse:

Imagino que falar tecnicamente disso incomode vocês, mas tentem tolerar o meu espírito pragmático. Tecnicamente, ela sente alguma coisa? Ela sofre? Numa comparação polêmica: um vegetal sofre? Um corpo sem consciência é ainda um ser humano?

Eu compreendo a importância dada à vida por todos nós. Mas o caso desta moça é vida ainda? O que me parece uma coisa anti-natural e desumana é conservar funcionando um corpo sem espírito (no sentido menos metafísico de "espírito").

Raquel (março 26, 2005 10:27 PM) disse:

O problema não é esse, Japa. O problema não é matar ou não a mulher, mas o jeito através do qual se faz isso. E de qualquer modo, nenhum dos relatos médicos que eu li sobre o caso é concordante quanto ao fato dela sentir ou não dor. Uns dizem que ela responde a estímulos básicos, outros, que ela não responde a nada. Mas a verdade é que sabemos tão pouco sobre o caso dela quanto sabemos sobre o funcionamento do cérebro e não se pode presumir, porque não se sabe, que ela não SENTE ou que ela não É.

E de qualquer modo, tudo o que se tem é uma "alegação" do marido de que ela teria "dito" em algum momento da vida, que, se isso acontecesse, não gostaria de ficar um vegetal. Não há prova escrita. E há também o fato do marido querer se casar com outra mulher e ter recebido uma indenização de mais de um milhão de dólares por conta do caso da nossa "vegetal" em questão, que certamente, ele não tem controle (ainda), porque a mulher não morreu.

Thiago Hirai (março 27, 2005 8:58 AM) disse:

Não sabia que ela pode sentir dor. A comunidade científica acredita que ela possa voltar à consciência? Sendo "não" a resposta, o mais natural e digno a ser feito é injetar o KCl na moça e deixar esse corpo descansar em paz.

Ricardo (março 27, 2005 10:41 AM) disse:

Eu acho que se estamos nos perguntando se ela sente algo já é motivo para não matá-la.

Veja bem, não é uma questão científica estatística em que podemos alegar "bem, há 98% de chances de que ela realmente não sinta nada mais e só vegete, então o melhor a se fazer é matá-la". Se houver a mais ínfima dúvida, baseado no que quer que seja, o melhor a se fazer é não matá-la, simplesmente pq (1) não matá-la não prejudica outras pessoas e (2) matar é algo irreversível. Citando Gandalf: não nos apressemos em tirar algo que não podemos dar de volta.

Então, pragmaticamente, não consigo achar um motivo sequer para não deixar que ela viva. Exceto econômico, já que é presumivelmente caro mantê-la viva. Mas não creio que seja o caso. Torço para que não seja, pelo menos.

Eu decididamente não entendo a questão toda. Se o marido acha que ela está tecnicamente morta, então pq se importa? Pq não passa a guarda para os pais e deixa que eles continuem a cuidar dela?

SLASH (março 28, 2005 1:13 AM) disse:

Há um tempo, saiu uma reportagem sobre eutanásia na Superinteressante, e em certo momento eles tocavam bem nesse ponto que acabaste de comentar: a questão econômica. Há famílias que chegam à falência por manter um parente internado por um tempo grande.

Quanto à questão da dor, reza a lenda que ela não sente o desconforto da fome ou da sede, justamente por estar em estado vegetativo. A todas essas, o que eu me pergunto é: ela está, de fato, em estado vegetativo? Porque é de se duvidar sabe...

Fernando Diniz (março 28, 2005 1:26 AM) disse:

Parece que o que diz na lei americana é que uma pessoa pode escolher em não viver a partir de suplementos artificiais. Schiavo está vivendo a partir de uma sonda que alimenta ela. Os especialistas disseram q ela não vai sofrer com a retirada dessa sonda, já que o córtex cerebral foi atingido. Somente um médico neurologista dos EUA foi contra esse método pq ele tem ligações com a igreja e tal. Sou a favor da eutanásia. Tenho pena não da pessoa, mas da função familiar. O marido dela cuidou 8 anos dela como um enfermeiro. Diz ele que ela falou que não gostaria de viver desssa forma quando viu o caso da outra mulher americana, que acabou gerando essas leis de eutanásia. Agora, se o marido fala a verdade eu não sei.

aninha (março 28, 2005 9:30 AM) disse:

Sou a favor da eutanásia também, mas me pergunto por que diabos (já que foi decidido que a mulher irá morrer), não deram logo uma injeção nela.
Não se trata nem mesmo de isentar os responsáveis da "culpa" de tê-la matado, já que alguém vai ter que tirar a sonda de qualquer jeito.
Então a lei americana que o Fernando cita aí em cima, pressupõe que, quando escolhe não viver a partir de suplementos artificiais, a pessoa simplesmente vai ser morta por negligência?? Que coisa absurda.

Raquel (março 28, 2005 10:01 AM) disse:

Agora resolveram dar morfina para que ela não sofra. (Ah, é, os mesmos médicos que diziam que ela não podia sentir nada porque o córtex cerebral estava "morto"...)

Se é preciso uma lei sobre a eutanásia, que seja uma lei humana, onde as pessoas possam morrer através de uma injeção letal ou coisa assim. O absurdo é deixar uma pessoa sem água e comida e ficar esperando ela morrer...

Ricardo (março 28, 2005 11:32 AM) disse:

Nada faz sentido. Se deram morfina, é pq acreditam que ela sofre. Se ela sofre, significa que está viva e não deviam deixá-la morrer em primeiro lugar. Meio paradoxal.

Mesmo que ela tenha dito que preferia morrer a ficar viva com ajuda de máquinas, certamente foi um comentário inocente enquanto via TV. Duvido que ela tenha sequer considerado a questão com seriedade, já que na hora não imaginava que aconteceria com ela.

Acho que o marido tem o direito de não se importar mais. Ele não PRECISA ficar cuidando dela. Pode passar a responsabilidade para outros (os pais, por exemplo). Mas o marido QUER matá-la. Isso significa que ele acredita que ela está consciente, viva e que DESEJA morrer.

Sei lá, muito confuso tudo isso. Já deixo anotado aqui: só desliguem os meus aparelhos se todo meu cérebro escoar pelos ouvidos e realmente não sobrar nada dentro da caixa craniana. Caso contrário, me congelem ou coisa parecida.

cr (março 28, 2005 1:13 PM) disse:

credo ricardo, bate na madeira, q escorrer o q. toc toc toc.

Thiago Hirai (março 28, 2005 1:32 PM) disse:

Só pra esclarecer: a lei americana dá ao marido o direito de decidir sobre o desligamento dos aparelhos. A idéia é que ele seria a pessoa mais indicada para tomar essa decisão, uma vez que foi escolhido pela mulher (diferentemente dos parentes). Essa bagunça toda tem muito mais a ver com a campanha do Bush mencionando o "direito à vida" do que com problemas no ordenamento jurídico.

Pra mim, isso é bastante lógico. O indivíduo deve ter o direito de dispor da própria vida. Em caso de dúvida, é natural perguntar ao cônjuge se esse era realmente o desejo da pessoa em questão.

Ricardo (março 29, 2005 12:43 PM) disse:

Poisé, pra mim em caso de dúvida deixe a pessoa viver, pq a morte é algo irreversível enquanto a vida sempre pode ser interrompida.

Mas isto pq eu nunca consegui imaginar nada tão terrível que me fizesse querer perder a vida.

LUCAS (março 29, 2005 5:28 PM) disse:

Oi Raquel !

Concordo com vc em gênero,número e grau !!
Crueldade e ponto !!
Meu Deus, vamos começar a matar todos os tetraplégicos tb ???
É insana essa discussão !!

Abraços !!

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