[17 de agosto de 2006]

Imaginário, Internet e Mídia

- Para o pessoal que está pesquisando imaginário, saiu recentemente uma entrevista com o Dênis de Moraes (cópia do Comunicação e Cultura, o blog dele) sobre o livro que ele organizou em torno do tema, chamado "Sociedade Midiatizada". Interessantes as colocações que ele faz sobre blogs e Orkut.

Não podemos nos apartar da sociedade real, nem deixar de intervir nas questões sociais concretas. Assisto preocupado à tendência de muitas pessoas a se encapsularem dentro do Orkut, do MSN, das comunidades virtuais, perdendo de vista que é no território físico e socialmente vivenciado que se localizam os problemas, os sonhos, as aspirações da coletividade. O risco que isso pode embutir é o de uma certa apatia, um descolamento das pessoas do real histórico, sobretudo das camadas mais jovens, que demonstram sensibilidade para o mundo virtual. Jamais devemos esquecer esquecer que é no mundo presencial que residem os antagonismos que geram a luta de classes. E sem a luta de classes, prolongada e contínua, pela radicalização da democracia não teremos possibilidades de fazer avançar as justas reivindicações por um outro mundo.


Não concordo com as colocações, pois em minhas pesquisas, tenho visto exatamente o contrário: o virtual como instigador da sociabilidade "real". Acho que há um grande potencial de organização social e não de descolamento e isolamento. Mesmo entre os grupos marginais, que já foram objeto de algumas pesquisas, onde há todo o interesse em permancer "online" e não trazer as relações para o "offline", com medo da reação da sociedade, vejo que as pessoas assumem os riscos para poder "viver" a sociabilidade virtual. De qualquer forma, essa crítica que o Dênis faz me instigou bastante a ler o livro. Vamos ver como ele desenvolve essas colocações. :D
por raquel (15:40) [comentar este post]


Comentários

guigah (agosto 18, 2006 7:16 PM) disse:

Sim é claro que tem desdobramentos para o real, já constatamos isso nas pesquisas empíricas né teacher?
Também vou ter que falar nisso na minha famigerada pesquisa.

ADri Amaral (agosto 18, 2006 7:21 PM) disse:

pois é né raquel, eu tb discordo pois as minhas pesquisas tb mostram o oposto. bjos

Lucio Uberdan (agosto 21, 2006 9:32 AM) disse:

Olá,
Desculpa me intrometer, mas o tema é bem interessante.
Sou aluno do 3º semestre da Ciências Sociais - UFPEL, e gosto do tema da cultura x novas tecnologias. O trecho da entrevista de Dênis Moraes mostra uma preocupação interessante pela ótica Marxista, porém, apenas analisando o trecho este acaba parecendo uma posição muito limitada, penso que: se entendemos a luta de classes (atualmente melhor é luta social) como o inevitável motor da história. Como então na contemporaneidade o motor da história se desenvolverá? Pois a história não acabou.
Tenho muitas dúvidas também sobre essa nova condição de experimentarmos nosso contato com o mundo. Com as novas tecnologias, em especial a Internet e seu modelo de virtualidade participativa, o tempo pela primeira vez não foi encurtado, ele foi revisto pelo ?instante?. É Nessa condição que o capital especulativo ganhou mobilidade. Sem necessidade de produção de bens e de trabalho como lastro, multiplica-se, agindo rapidamente em inúmeros países.
Assim como capital-trabalho, o corpo, experimenta sua desrealização, deixamos de correr riscos, seguros que estamos, relegamo-nos a um contato anti-séptico sendo avatares apenas. Sem subjugação do corpo, deixamos a revolução radical perdida e presa ao passado?
Levy é um pensador que tem uma visão muito positiva sobre as novas tecnologias, algo tipo a entrada na era do conhecimento. Paul Virilio arquiteto e filosofo diria que: ?as novas tecnologias são exterminadoras dos corpos não apenas através do desemprego, da miséria, mas também da referência à corporalidade, isto é, à própria teatralidade?. Agora o filosofo marxista Antonio Negri é quem está se debruçando sobre a luta de classes na contemporaneidade através de dois livros mais especialmente, o Império e o Multidão. Multidão seria portanto a nova configuração contemporânea do velho proletariado, massa, povo, etc...Que funda-se em grande parte pelas novas tecnologias.
Enfim uma ótima conversa, legal vocês fazerem, nas Sociais da federal não fazemos, desculpa se ficou longo o comentário.
Um abraço,
Lucio Uberdan.

Lucio Uberdan (agosto 21, 2006 12:23 PM) disse:

Olá,

Que bom que não passar por intrometido.

Bem, estou apenas no 3º semestre então não sei como (e se) o tema desenvolve-se na UFPEL, sei que na Ciências Sociais ele não acontece, temos um professor que através de outros áreas como a "democracia" acaba atravessando um pouco, mas é apenas um pouco. Como pesquisa realmente não existe que eu saiba. Na educação sei que tem professores que trabalham muito com Negri, mas nada de Cibercultura, mídia, novas tecnologias, etc. Mas vou me informar, acho que precisava que alguém me pergunta-se para sair atrás.

Anotei o blog do Antoun, inclusive dei uma olhada e foi uma ótima dica. Eu pessoalmente quero poder pesquisar nessa área, ainda estou juntando pedaços sem saber bem para onde ir. Começo (quando tenho tempo) a partir do que gosto de ler mesmo que parte (cibercultura) disso não componham o programa de meu curso, os pedaços são: pós-modernidade ? cibercultura ? política ? globalização e mesmo não tendo lido ainda nada de fôlego, a questão ?cyborgue? ou que alguns chamam de pós-orgânico, me chama muito atenção.

Vou passar seguido aqui, até+

Lucio uberdan

marcia (agosto 22, 2006 12:37 PM) disse:

ah, a subjetividade!!! vira e mexe, alguém tem medo dela (ou delas).

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