[07 de julho de 2005]
Londres 07/07
Baudrillard falou no terrorismo como o inimigo invisível, que atingiu o Império. Só que depois, atingou a Espanha. E depois a Inglaterra. E tem como alvos próximos na lista, a Itália e a Dinamarca. Historicamente, os terroristas estão conseguindo o que nenhuma guerra anterior conseguiu: uma unificação das populações e estados do Ocidente, numa cruzada contra o Oriente. Invariavelmente, a terceira grande guerra parece ser "a guerra contra o inimigo invisível", que, lamentavelmente, será personificado nas populações muçulmanas e árabes pobres do Oriente Médio. Acho que a guerra contra o Irã - considerado um dos países do "eixo do Mal" por Bush - está cada vez mais próxima, já que os ataques têm gerado uma consciência de insegurança nas populações ocidentais, que tendem a apoiar uma futura cruzada contra os países financiadores dos grupos radicais.
por raquel (16:41) [comentar este post]



Comentários
Ricardo Solidade (julho 7, 2005 6:58 PM) disse:
Oi Raquel, permita-me algums comentários sobre esse post, de um leitor de seu blog -- infelizmente, não tão assíduo ultimamente por conta do tempo.
Há um autor que fundamentou uma tese, há cerca de 10 anos -- inicialmente em um artigo que depois virou um livro --, sobre essa idéia de um conflito com o "inimigo invisível". Mais precisamente com um conflito que se volta à motivos de cultura e religião, diferenciando-se do conflito puramente em torno da idéia de Estado-Nação. É o Samuel P. Huntington com o seu já clássico "Conflito de Civilizações".
Nessa obra, Huntington defende a idéia -- e ele mesmo indica indícios disso até hoje -- de que há uma cultura ocidental distinta e que os tensionamentos no século XXI se desenvolverão entre essa "civilização ocidental" e as outras, como o Islamismo, as culturas de religião ortodoxa na Europa Oriental, entre outras identificadas em seu livro.
Numa opinião mais pessoal, repudio totalmente esse conceito. É aquela história: novos tempos, novos inimigos. Essa tese enxerga uma coisa que na minha opinião não existe de forma evidenciada.
Com relação ao Irã, eu acho pouco provável que venha a acontecer uma intervenção nos moldes do Regiome Change feito no Iraque. A população é três vezes superior à iraquiana e um conflito alí, realmente, causaria um foco de destabilização regional. O que acredito que deva ocorrer no caso do Irã seja uma política de contenção, flertando com a mesma prática adotada pelos EUA na guerra fria, com a então URSS. Coisa que acredito, não deva ocorrer por exemplo com a Coréia do Norte.
Saudaçoes,
Ricardo