[23 de maio de 2011]
Redes Sociais na Internet e Informação
Na terça passada palestrei no SIBD, em Porto Alegre, falando sobre difusão de informações e redes sociais, numa discussão que eu queria retomar aqui. Um dos pontos que eu tentei salientar e que acho que é um foco importante para a pesquisa em informação hoje é como as redes sociais na Internet vão criar modos de filtrar e disponibilizar as informações. Isso porque, conforme defendi, o grande desafio da Sociedade da Informação, hoje, é o acesso, a busca, a hierarquização e a organização das informações disponíveis. Nesse contexto, o Twitter, por exemplo, tem um papel importante como centro de informações. Por que? Por que a rede social que está ali presente filtra e hierarquiza informações, através de diversas práticas sociais (como o retuíte, por exemplo). Embora essas práticas não tenham um foco exatamente colaborativo (é mais um efeito do que um objetivo, mas isso é assunto para outro post), elas acabam por auxiliar no processo de delimitação de relevância para informações que fazem sentido para os grupos sociais.
As redes sociais na Internet proporcionam conexões mais permanentes, que são os laços associativos. Por causa dessas conexões, que não se desgastam, não enfraquecem e permanecem ativas para o trânsito de informações, essas redes tendem a ser muito mais complexas e interconectadas que as redes offline. Por isso o chamado "buzz" é muito mais significativo nesses espaços. Quanto mais conectadas, mais informações circulam por essas redes, mais informações atingem seus nós. E maior a necessidade de filtrar e organizar. No Facebook, outro centro de difusão de informação bem claro, as práticas sociais têm criado formas de tornar informações relevantes (vejam no streaming as "top news", por exemplo, que são montadas pelas redes sociais; ou mesmo no uso do botão "curtir"). Muita gente, quando vê uma informação que considera importante por algum motivo, sente-se impelida a "curtir", comentar ou mesmo dar um "share" para sua própria rede. Isso vai gerando relevância para determinadas informações e ostracismo para outras. Essa é uma prática emergente e coletiva de organização da informação, que tem efeitos e que está sendo constituída entre os usuários.
Compreender como essas práticas acontecem, quais suas motivações e suas vulnerabilidades, quais seus efeitos nas redes sociais e na própria sociedade é essencial. E compreender quais valores emergem dessas ações, também. Assim, é possível perceber, também, qual a relevância das redes sociais online para o conhecimento e as narrativas do espaço social.
por raquel (08:06) [comentar este post]



Comentários
Zayr Cláudio (maio 23, 2011 10:51 AM) disse:
Parabéns pelo post Raquel,
Sou Graduando em Biblioteconomia da UFAL, praticamente formado, (risos) até apresentei monografia.
Assim que li esse post comecei a refletir sobre a atuação do profissional Bibliotecário, tendo em vista a problematização que levanta aqui, no contexto da organização e hierarquização da informação na web , sobretudo, em redes sociais.
Atualmente a comunidade científica discute sobre o Bibliotecário 2.0. Entretanto, vejo que estamos em processo de "talvez" consolidação conceitual e de atuação 2.0 como profissional da informação. Visto que são poucos bibliotecários que possuem twitter, perfil no facebook, e até no linkedin; e menos ainda aqueles que colaboram, que interajem na web 2.0, são poucos aqueles que utilizam sua redes para discutirem temas diversos através de tweets, comentários em grupos no face etc. Sendo assim, qual será sua visão diante sua atuação em filtrar e disponibilizar informações em redes sociais? Sem mais delongas, em breve vou problematizar em meu blog (biblioteconomiananuvens.wordpress.com/) o que pensam os bibliotecários sobre essa emergente colaboração na web, sobre essas práticas sociais em redes.
Seria possível ter acesso a palestra supracitada no post?