[31 de outubro de 2004]
Sobre a democracia
Je défendrai mes opinions jusqu'à ma mort, mais je donnerai ma vie pour que vous puissiez défendre les vôtres. (Voltaire)
Face aos últimos acontecimentos das campanhas eleitorais no Brasil, fico pensando sobre a democracia. O País lutou muito para que as eleições pudessem ser diretas, todos sabemos. Passamos por períodos terríveis de ditadura, todos sabemos. Agora, eu sempre achei que, face a todo esse passado, as pessoas seriam extremamente cuidadosas com a democracia, com medo do retorno à ditadura.
Obviamente, esse era o meu mundo perfeito. A realidade revela-se bem diferente. O ímpeto com que todos querem pulverizar aqueles que pensam diferente me assusta. São brigas de bandeiras, carros com o adesivos apoiando um candidato destruidos, pessoas agredidas nas ruas, invasões de comitês eleitorais... o que é isso? Quero dizer, essa política, dessas pessoas, de que se tu pensas diferente de mim, és meu inimigo é exatamente a política da ditadura! A política do pensamento único é exatamente aquilo contra o Brasil lutou por 20 e tantos anos. Lutamos pelo direito de pensar diferente. Então, façam-me um favor, e deixem que as pessoas pensem diferente!
Quando uma disputa eleitoral se torna uma disputa de torcidas, tenho medo. Pessoas apaixonadas por uma cor, uma bandeira, ou um candidato, podem estar obscurecendo seu senso crítico. Pessoas movidas pela paixão nem sempre são movidas pela razão e pelo bem da maioria, fundamento da democracia. Não que não se possa defender uma causa ou um partido. É claro que sim! Desde que essa defesa seja racional, crítica e clara, tendo em vista as propostas e a ideologia do partido. O que eu vejo nas ruas, entretanto, é bem diferente. Pessoas defendendo uma idéia apenas para ser contra outra idéia. Pessoas anti- alguma coisa ou alguém. Pessoas que vestem uma bandeira apenas para criar confusão e dar vazão aos seus instintos primitivos.
É preciso superar isso para o senso democrático. É preciso ter lucidez e clareza no voto. Votar naquele que condiz com os meus ideais e com o que eu acho que será bom para todos. E sobretudo, é preciso defender até a morte o direito dos que pensam diferente, porque é justamente a existência desses que permite que o senso crítico não seja nublado pelas paixões e sonhos, mas que persista e auxilie e criticar sempre, em busca da melhoria comum. A democracia precisa que todos sejam livres para pensarem como quiserem. E a voz da maioria vencerá. Mesmo que não seja a minha voz. E é preciso aprender a respeitar isso.
por raquel (09:25) [comentar este post]



Comentários
Bruno (outubro 31, 2004 9:59 AM) disse:
Além de tudo isso ainda tem os que consideram o dia da eleição um momento de guerra. Os fiscais se apoitam nas trincheiras da sessões e para nutrirem seus egos dizendo que estão sendo úteis para sua causa inventam confusão com a primeira coisa que vêem.
Um maldito fiscal do Bernardo veio me peitar pq eu tirei uma foto do LUSTRE do caixeral. Eu tava de camiseta vermelha da RENNER com uma estrela no peito. Cuidado comigo, vou esquartejar sua mãe e fritar seu pai. Eu não tenho nada com o PT ou com qualquer partido que seja. E também não interessa em quem eu votei, o cara veio dizendo que ia chamar a justiça eleitoral pq eu bati uma foto do lustre. Ah, vai toma banho.
No momento que ele veio me encara o pessoal da minha mesa se levantou e encarou o cara. O presidente disse: A MESA É MINHA E ELE TA COMIGO. Urru, pegou fogo. O pessoal do PT, do Caixeral e ainda um pessoal mais jovem do Bernardo veio ao meu lado também. Não tinha como apoiar racionalmente um velho desdentado e um com dentadura que se dizia advogado (um dia me disseram q todo adEvogado é viado. quase que eu larguei isso na cara dele) que venha peitar alguém com uma câmera. Como isso se torna crime eleitoral?
Depois ele veio e tirou uma foto minha. Eu sorri. Só faltou mostrar o dedo, mas aí ele poderia me processar por injúria.
Ricardo (novembro 1, 2004 4:56 PM) disse:
E é por isso que não gosto de futebol.
Mas agressão é o recurso à falta de argumento, como sempre. O crescimento da violência na defesa de ideais só acontece por preguiça de pensar, por dificuldade de argumentar e por medo de se estar errado.