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Título: At Home In The Universe
Data: 26-04-2007 (16:35)
Categoria: Ciência

Estou lendo "At Home In The Universe", de Stuart Kauffman - mais um dos grandões do Santa Fe Institute. O livro é de divulgação científica e o que está sendo divulgado é a tese de Kauffman de que a existência de vida não é um mero acaso, é praticamente uma necessidade. E a explicação é dada por sistemas auto-catalíticos.

O problema sendo abordado, de forma grosseira, é de que é muito, muito improvável que a vida tenha surgido em qualquer coisa parecida com um caldo primordial - a probabilidade de que um conjunto de moléculas se juntassem ao acaso tornando possível a reprodução e toda seleção natural é simplesmente fantasticamente pequena e o tempo de existência da Terra seria insuficiente para tal processo acontecer. Kauffman, citando alguém, compara com a probabilidade de um furacão passar em um ferro-velho e montar um Boeing no processo.

A teoria de Kauffman é a de que as coisas não são tão ao acaso assim, isto é, não seria necessário ficar torcendo para que as moléculas corretas se chocassem nas proporções corretas - existem processos bem simples que "juntam" as peças por si só e permitem que essas peças se repliquem utilizando redes catalíticas recorrentes. Nessas redes, as coisas acontecem quase como em uma introdução de um dos livros de Douglas Adams: tudo que acontece acontece; tudo que ao acontecer faz outra coisa acontecer, fará outra coisa acontecer. Ou algo assim, não achei o livro.

O ponto é: não é por sorte que a vida existe; a vida é quase uma necessidade.

Eu sempre achei o argumento de que a Terra não existe há tempo suficiente para que a vida tenha se iniciado por acaso meio egocentrico por não considerar todos os mundos possíveis no Universo. A criação de vida é um processo paralelo, cada pedaço de rocha navegando no vazio espacial tem alguma probabilidade de iniciar a vida. Havendo pedaços de rochas suficientes por aí, e devem haver, então algumas tem que ter vida e algumas entre estas tem que conter vida inteligente. Independente do tempo que elas existam. É fascinante que uma dessas vidas inteligentes se pergunte como é improvável que ela própria exista e não aceite que possa realmente ter sido apenas "sorte" que existamos.

A teoria de Kauffman introduz um outro problema também, que não sei se ele aborda pois não terminei de ler o livro. Se a vida é uma necessidade, então por que ela é tão rara? Afinal, não há sinais de que existe vida lá fora - pelo menos não até onde conseguimos olhar. A transição entre quase-impossível e necessária parece ser muito brusca. Ainda assim, é uma teoria fascinante, elegante e bastante plausível. E torna mais fácil aceitarmos por que, exatamente, existimos. Como diz o título, aceitar que nossa existência é uma necessidade e não mero acaso permite que se sinta em casa no Universo.


4 comentários (comente)

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Cuca (abril 27, 2007 8:48 AM):

Daqui a pouco alguém "prova" a existência de Deus e alguns dirão "Eu te disse, viu? Eu te disse!" Ehehehe

Daniel (abril 27, 2007 9:45 AM):

Bem interessante, mesmo que isso me pareça meio meta. Para mim principal palavra ai é "sorte", pura sorte estarmos aqui e sermos o que somos. Eu não diria que a vida é uma necessidade, mas sim uma fatalidade, dadas as condições, ela acaba acontecendo cedo ou tarde.

Vinicius Alves Hax (julho 16, 2007 11:16 PM):

Possivelmente tu já tenha passado por esse link, mas todo caso:
Procura por Fermi paradox na wikipedia (pois o teu sistema de comentários aparentemente bloqueia links :P)
Tem várias hipóteses e contra-hipóteses do porquê estarmos "sozinhos" no universo.
E como todo link da wikipedia tem vários links interessantes para se perder mais horas do que estão disponíveis.
Abraços.

VNT (julho 24, 2007 2:44 AM):

bahhhhhhh...
me lembro que uns tempos atras vi algo sobre esse cara,
fiquei interessado mas nao achei nada sobre ele,
tu tem o livro?
em portugues-br ou soh ingles?
se tiver em .pdf tu me salva =D
meu email ta ai se quiser responder