Segundo a Folha, o filme de animação
Madagascar foi proibido para menores em Joinville (SC). Até tive que olhar que dia é hoje para ver se não é um primeiro de abril. O juiz que decidiu pela sentença acatou o pedido de um advogado que alega que o filme contém apologia às drogas, em particular ao ecstasy.
Passei o filme rapidamente em minha cabeça e não consegui encontrar apologia alguma. Continuei lendo a matéria e descobri que a relação é com a cena onde o personagem de David Schwimmer, a girafa Melman, procura por balinhas na estação de metrô.
A decisão é errada em tantos níveis que é difícil de contar. O argumento é que "balinha" é o nome popular do ecstasy. Ainda que já tivesse ouvido falar nisso, jamais fiz a ligação com a menção no filme. Com a decisão judicial na mídia, agora farei. Isto é, a ligação só passou a existir por que algum advogado a criou, mas não deixa de ser artificial. Adicionalmente, o conceito de "balinha" só existe na tradução, no original, se não me engano, Melman fala "mint". A menos que menta seja o nome de alguma outra droga nos EUA, uma melhor decisão judicial seria solicitar a mudança na legenda ou dublagem.
Nos EUA, o guia para pais diz que o filme contém apologia a álcool (as bebidas no barzinho improvisando na praia e uma garrafa de champagne que aparece em algum momento) e às drogas apenas no momento que o leão Alex é atingido por um tranquilizador e começa a alucinar. Em lugar algum existe menção à cena das balinhas, o que leva a crer que realmente o problema é com a palavra "balinha".
Nem preciso dizer que com isso o filme ganha um público todo novo. Mas podemos fazer um teste para ver se a decisão do juiz e do advogado foi acertada: se Joinville mostrar uma queda (ou menor aumento) no uso de drogas, saberemos que a Dreamworks realmente está conspirando por nos tornar um bando de viciados.
Alguém devia era processar o advogado, afinal com a criação da analogia que milhares de crianças fora de Joinville agora verão ao assistir o filme, quem está fazendo apologia às drogas é o próprio advogado. Se antes era subliminar (o que não consigo ver como sendo), agora se tornou explícito. Bela decisão.
Mas também não tem por que parar por aí. Os pinguins são analogia à formação de quadrilhas, incitação à fuga de presídios e ao descumprimento de regras em geral. Apologia ao bulimismo à bulimia também está presente, nas cenas onde todos tomam água do mar e cospem tudo fora no final. A cena do entorpecimento com tranquilizante é incentivo ao uso errado de drogas legais. Espero que alguém tome uma atitude em relação a isso também.