Esses dias li um blog mencionando a cena de um filme do Woody Allen onde ele conversa com ETs sobre o sentido da vida. Não lembrava de nenhum filme do Woody Allen onde ele conversava com ETs, e tenho certeza que vi 90% dos filmes do Woody Allen.
Tenho certeza porque aí pelo meio da faculdade peguei a ficha dele no IMDB, fiz uma pesquisa demorada para descobrir os nomes dos filmes em português (a Internet não era tão completa, crianças) e saí catando-os pelas videolocadoras (a Internet não era tão rápida, crianças). Alguns deles, tipo Manhattan, só existiam naquele estranho novo formato de caixas fininhas, chamado "DVD" - e tive que pedir um DVD player emprestado de um amigo (obrigado, Jean) pra assistir.
Consegui assistir praticamente todos, em mais ou menos um ano. Ficaram faltando aqueles que nenhuma locadora tinha. Acabei esquecendo da lista e hoje tem alguns que não consigo saber, só pelo nome, se já assisti, tipo Shadows and Fog, Alice e Hannah e Suas Irmãs.
Este dos ETs, Stardust Memories, também estava na categoria "não lembro". Hoje, descobrir se assisti ou não leva as 24 horas que o eMule precisa para baixar coisas mais velhas. E não, eu não havia assistido.
A cena dos ETs não é lá essas coisas. Impossível mesmo seria eu ter esquecido a Charlotte Rampling - aos 34, mas com cara de 20 e poucos - folheando o jornal no chão, a câmera parada um minuto e meio olhando pra ela, ela olhando pra nós, enquanto Woody monologa sobre a vida e Louis Armstrong canta "Stardust". O YouTube não faz muita justiça ao widescreen (que dirá a quem viu isso no cinema), mas vamos lá:
É a fase felliniana do Allen, que aconteceu aí pela época em que eu nasci. Stardust tem a desestrutura de 8 1/2, com sonhos dentro de filmes dentro de sonhos de filmes. Não é feito para fazer sentido, mas sim pra produzir essas imagens, de cinema que, se ainda é feito hoje em dia, não me apresentaram.
Estará à venda no fim do mês. E tem meu nome nos créditos: de revisor técnico.
Na verdade, o que aconteceu foi que montei um projeto de tradução do livro para convencer alguma editora nacional a publicá-lo. Inclusive com um trecho da introdução traduzido, que também utilizava em aula. O networking (valeu, Nasi) acabou me colocando em contato com outro apaixonado pelo Jenkins com bem mais contatos (valeu, Maurício), o que acabou rendendo esse trabalho de revisão.
É a primeira vez que sai um livro do Jenkins no Brasil. Foi complicado traduzir ele - o cara é verborrágico e muito nerd. Mas o que importa é que as idéias brilhantes estão lá. O livro é referência pra qualquer coisa que eu pesquiso hoje em dia.
Fazia anos que eu queria o livro do Jerry Rubin, o primeiro aí abaixo. Ele foi parceiro do Abbie Hoffman nos anos 60 e tem esse livrinho ilustrado pelo Quentin Fiore, o mesmo cara que trabalhou nos livros ilustrados do Marshall McLuhan.
(Falando nisso, baixei Chicago 10 e ainda não assisti.)
Rubin e outros são para pesquisa. Também acabei de comprar os Death Note (mas estou lendo muito lentamente) e sigo tentando diversificar minha gibiteca pra um projeto que pode ter começado a dar certo ontem: se funcionar, em breve vou traduzir seus gibis. ;)
Estou reassistindo uns trechos de NETWORK (do Sidney Lumet, 1976) para exibir em uma turma de Jornalismo. Minha cena preferida é a da foto. O chefão da emissora reúne-se com o jornalista rebelde, numa grande sala onde cada um deles fica sentado em uma ponta de uma longa mesa, e dá o melhor discurso da história do cinema.
É tão engraçado que acho que não foi ele que escreveu. Em outras palavras: por que os filmes dele não são mais assim?
JUNE 15
Work finally under way. Shot a torrid love scene today between Scarlett and Javier. If this were a scant few years ago, I would have played Javier’s part. When I mentioned that to Scarlett, she said, “Uh-huh,” with an enigmatic intonation. Scarlett came late to the set. I lectured her rather sternly, explaining I do not tolerate tardiness from my cast. She listened respectfully, although as I spoke I thought I noticed her turning up her iPod.
AUG. 20
Made love with Scarlett and Penélope simultaneously in an effort to keep them happy. Ménage gave me great idea for the climax of the movie. Rebecca kept pounding on the door, and I finally let her in, but those Spanish beds are too small to handle four, and when she joined, I kept getting bounced to the floor.
Aí, ouvi esses dias uma palestra em que o cara citava o livro A Mistificação das Massas pela Propaganda Política, e contava que só tinha a edição em francês, porque a brasileira teve quase toda sua tiragem queimada pela ditadura militar em 60 e bolinha. Sobraram, segundo o palestrante, umas quatro ou cinco cópias.
Eu tava entediado com a palestra e lendo meus feeds, mas abri uma janelinha do Estante Virtual. A busca retornou nove exemplares do livro, o que já contrariava o palestrante. A favor do palestrante, porém, os exemplares custavam R$ 250, R$ 130, R$ 120, R$ 95...
E tinha um por R$ 50. Mais R$ 5 de frete. Óbvio que comprei.
Chegou faz uns dias. O livro tá num estado melhor que o da foto acima. Só uns buraquinhos de traças.
Ainda não chego a ser colecionador de livros (compro eles para ler, mesmo que não tenho tempo de ler), mas essa aquisição aí me deu orgulho.
A dificuldade é incrível. Tem respostas ótimas, mas que parecem não dizer nada para quem não entende um pouco de quadrinhos. Tipo a do Douglas Wolk:
Watchmen is about the way the world works: the fantastically complicated clockwork of human existence, as well as the aspects of humanity that can't be reduced to determinism. It's also about the superhero genre and the bizarre conventions it's accrued over time -- the denials of realism that make it enduring and powerful, and its peculiar attachment to the comics medium.
Já citei aqui a matéria do Guardian onde o jornal apurou que Matt Santos, o candidato democrata das últimas temporadas de The West Wing, foi baseado no Obama.
Santos concorre à presidência com Leo McGarry, que é eminência parda do governo Bartlett desde o início do seriado. E é um velhão.
Tão velhão, aliás, que morreu antes da série acabar - o ator morreu e, por conseqüência, o personagem.
De qualquer forma, Santos ganhou a presidência. O que é bom indicativo pro Obama. Mas o fato de ele ter um vice, no seriado, que morre... Ou não é um bom indicativo pra campanha de Obama, ou não é um bom indicativo para a vida do Biden.
... despite Scott Pilgrim's budding celebrity, despite Larson's two-book deal with Simon & Schuster, they decided that each day at 5 p.m. they'd put away their pens and do something else. Like read the thousands of comic books in their World War I-era home.
E uma informação muito importante:
Organizers of the biennial Toronto Comic Arts Festival (www.toronto comics.com) say the city has the second- highest comic book retail establishment-to-population ratio in North America, just behind the San Francisco Bay area.
Voltando a O'Malley e Larson, eles tão com uma HQ inteira online:
Não é só notícia das celebridades. A dupla de Y Tu Mama También - o melhor filme da minha obsessão por fim da adolescência - está tendo seus primeiros filhos.
Estou há semanas com um arquivo parado no eMule: "The Yes Men !!! Ativismo !!! Surpreendente !!! (leg PT_BR).srt". São as legendas pro documentário sobre os Yes Men (ou assim espero), que nunca tinha encontrado em português?
Você por acaso não tem?
Parece que o filme já passou com legendas em português no canal Cinemax, por aqui. Você por acaso não gravou pra mim?
Motivo: preciso exibir o filme para pessoas que não lêem inglês.
Um projeto que eu tentei alavancar aqui com uns amigos, mas acabou não dando certo (porque os outros não se mexeram :P ).
Ah, depois de escrever isso, confirmaram que ele vai palestrar na UFRGS, em Porto Alegre, no domingo dia 10.
FOR IMMEDIATE RELEASE
David Lynch won't come to Chapecó Famous director may waste lynchean opportunity
David Lynch is coming to Brazil. The famous moviemaker, author of Blue Velvet, Twin Peaks and Inland Empire, will take a planned 4-city tour in through the South American country in August to release the national edition of Catching the Big Fish: Meditation, Consciousness and Creativity, his book on transcendental meditation, according to Editora Gryphus.
Mr. Lynch, though, won't come to Chapecó. The southwestern Brazilian city, in the state of Santa Catarina, with a population of 160 thousand, is known for its pork industry for the foreign market (if you like pork, wherever you are, you have probably tasted chapecoense pork) and, mainly, the strange characters that roam its streets and political scenery.
It is also the site of strange commercial phenomena, UFO sightings, a colony of permanently drunken midgets, gruesome deaths (among car accidents, murder and group suicide) and the greatest concentration of one-armed men in the world.
Anyone who knows mr. Lynch's oeuvre might notice Chapecó is a inspiring, ideal, creativity-stimulating, ravishing little town. Yet, mr. Lynch will only attend book signings on São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte and Brasília – big cities with big city eeriness, which pales in comparison to Chapecó's particular brand of lynchean magic.
The Chapecó Airport has daily flights to and from São Paulo, one of the cities mr. Lynch is set to visit. Considering he will be so close, a few hours detour to Chapecó would result in at least a decade of new eerie movie imagery, as well as a productive talk to the city's burgeoning movie industry (Unochapecó, the local university, would be happy to finance mr. Lynch's expenses as well as set a lecture event/book signing).
Summing up, if mr. Lynch had to come to Chapecó in the 80s, Twin Peaks would have been named Twin Pigs. Mr. Lynch would greatly benefit from a visit to Chapecó, as well as Chapecó would benefit from a visit by mr. Lynch.
Mr. Lynch, don't waste this lynchean opportunity. Visit Chapecó in August.
For more information, please visit http://davidlynchchapeco.wordpress.com or contact davidlynchapeco@gmail.com
PARA PUBLICAÇÃO IMEDIATA
David Lynch não vem a Chapecó Famoso diretor perderá oportunidade lyncheana
David Lynch vem ao Brasil. O famoso cineasta, autor de Veludo Azul, Twin Peaks e Império dos Sonhos, fará um tour por quatro cidades do país sul-americano em agosto para o lançamento de Em Águas Profundas: Criatividade e Meditação, seu livro sobre meditação transcendental, de acordo com a Editora Gryphus.
O sr. Lynch, porém, não virá a Chapecó. A cidade do sudoeste brasileiro, no estado de Santa Catarina, com uma população de 160 mil, é conhecida por sua indústria exportadora de carne de porco (se você gosta de carne de porco, esteja onde estiver, provavelmente já provou o porco chapecoense) e, acima de tudo, os estranhos personagens que perambulam por suas ruas e cenário político.
Chapecó também é palco de estranhos fenômenos comerciais, OVNIs, uma raça de anões permanentemente bêbados, horríveis mortes (entre acidentes automobilísticos, assassinatos e suicídios coletivos) e a maior concentração de homens com um braço só no planeta.
Qualquer um que conheça a obra do sr. Lynch notará que Chapecó é uma cidade inspiradora, ideal, estimulante e arrebatadora. Contudo, o sr. Lynch tem sessões de autógrafos marcadas apenas para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília – cidades grandes com a lugubridade de cidade grande, ridículas em comparação com a magia lyncheana de Chapecó.
O aeroporto de Chapecó tem vôos diários de e para São Paulo, um das cidades que o sr. Lynch visitará. Considerando que ele estará tão próximo, uma mudança de rumo, de algumas horas, para Chapecó resultaria em pelo menos uma década de imagens cinematográficas novas e sinistras, bem como em uma conversa produtiva com a nascente indústria cinematográfica local (a Unochapecó, a universidade local, financiaria com prazer as despesas do sr. Lynch, bem como prepararia um evento com palestra e sessão de autógrafos).
Em resumo, se o sr. Lynch tivesse conhecido Chapecó na década de 80, Twin Peaks teria se chamado Twin Pigs. O sr. Lynch se beneficiaria imensamente de uma visita a Chapecó, e Chapecó se beneficiaria imensamente de uma visita do sr. Lynch.
Sr. Lynch, não perca esta oportunidade lyncheana. Visite Chapecó neste mês de agosto.
Para mais informações, visite http://davidlynchchapeco.wordpress.com ou entre em contato através de davidlynchapeco@gmail.com
Meus gostos continuam se cruzando: ao receber o prêmio Eisner por melhor design de publicação, sexta-feira, James Jean gritou para o Chris Ware: "I drink your milkshake!".
Não que eu tenha gostado muito de Sangue Negro, mas é engraçado como essas minhas referências se cruzam.
Deixa eu me gabar um pouquinho: eu já dizia desde que li Meu Coração Não Sei Por Quê que esse era o típico quadrinho brasileiro que tinha que sair lá fora. Até perguntei isso para eles, e o gibi acabou sendo publicado nos EUA uns anos depois.
Desconfio muito de adaptações de quadrinhos pro cinema, ainda mais de Watchmen. Mas, putz, quando o Zack Snyder diz que mandou construir toda a nave do Coruja, encheu de props que nem sabe se vão aparecer nas cenas, só para ter o "feeling" do gibi, e ainda diz "se eu acabar fazendo só um comercial de três horas pra graphic novel, meu trabalho está feito"...
Sei que sou o público-alvo dessa campanha. Mas ela funciona, diabos.
Pena que daqui uns meses, quando o filme estiver pronto, eles vão começar a direcionar a campanha para As Outras Pessoas. E aí meu desgosto por adaptações vai voltar.
De qualquer forma, imagino que eles estejam pensando em usar parte dessa grana de marketing para prender o Alan Moore numa cadeira, esgarçar os olhos dele tipo Laranja Mecânica e rodar o filme.
O Monty Python já parodiava o House antes do House existir.
(Lembrei desse sketch porque precisava de um novo toque de mensagens no celular. Com o Tweeter mandando uma mensagem a cada 10 minutos, as pessoas tavam reclamando do meu toque anterior, copiado daqui. Agora o toque é um leve e delicado "PING!" na voz do Michael Palin - o gerente do hospital, no sketch.)
É seu. Se você me ajudar a configurar meu Tumblr e meu blog, até eles ficarem como eu quero. Me ensinando os macetes, envio o livro pelo correio para qualquer parte do Brasil.
Designers, programadores, pessoas com tempo: alistem-se via ericoassis @ gmail.com.
Volta nessa sexta-feira. E a campanha de RP é interessante: artigão na New York Times Magazine com foco no criador, Matthew Weiner (ex-Sopranos - ele esteve na serie desde o iníco, e escreveu o episódio em que o Tony mata o Christopher, entre outros) e matérias dispersas, como a LA Times, sobre a moda anos 60.
Jonathan Kanarek, owner of the Los Feliz vintage clothes store Jake Vintage, told The Times that clients often come searching for '60s styles, and mention “Mad Men” by name. "That classic look is in magazines all the time, but when people actually see it in play on TV, that pulls it all together for them," said Kanarek.
Rebelião de Attica foi uma rebelião ocorrida no presídio de Attica, estado de Nova York nos Estados Unidos da América. A rebelião, que começou no dia 9 de Setembro de 1971, durou quatro dias e terminou com a morte de 39 pessoas, sendo 10 reféns.
No filme Um Dia de Cão, de 1975, o personagem de Al Pacino, Sonny, que fez reféns durante um assalto a banco, grita "Attica! Attica!" para a multidão de curiosos que se reuniu em frente ao banco, em referência à rebelião de 1971. A multidão o aplaude pelo ato. A frase foi eleita a 86a. posição da lista "100 Years...100 Movie Quotes" - 100 anos... 100 citações de filmes - do America Films Institute.
Dr. House também cita a expressão "Attica! Attica!" na 3ª temporada da série quando se mostra indignado em relação a uma decisão da sua superiora Dra. Lisa Cuddy.
Rodei o trailer do Watchmen num iMaczão da agência da universidade, e um diretor de arte me perguntou "o que que é esse Watchmen?".
Tentei: "Ammm... Era uma equipe de super-heróis que se desfez, e agora eles são reunidos quando um deles é assassinado e eles têm que descobrir quem é o culpado. Mas... ahm... não é só isso. Tem umas relações com a história dos EUA. Tipo que eles são heróis que ajudaram os EUA a ganhar a Guerra do Vietnã."
Ele: "Que guerra?"
"Do Vietnã."
"Mas os EUA não ganharam a Guerra do Vietnã."
"Exatamente. Mas... ahm... tu tem que ler o gibi."
Não sei explicar o que é Watchmen. Preciso de ajuda. Nós, geeks, precisamos de um guia para explicar Watchmen para As Outras Pessoas, já que vão vir muitas perguntas agora que a campanha publicitária começou. Tem que ser algo curto, mas que dê conta da potência da história sem parecer algo feito só pra quem lê gibi (tipo: "é uma descontrução do gênero dos super-heróis"). E sem termos que emprestar o gibi, pois As Outras Pessoas, como conhecemos, não sabem ler gibi.
E temos que vender o filme bem. Por pior que ele possa vir a ser, tem que ter uma bilheteria astronômica para que Hollywood continue comprando gibis pra adaptar, injetando mais dinheiro nas editoras e gerando mais gibis bons pra quem gosta mesmo de gibi.